• Tatiana Maia Lins

Por que startups devem pensar em reputação?

No Brasil, que já vinha com uma economia estagnada antes da pandemia de coronavírus, com taxa de desemprego de 12% das pessoas em idade produtiva, o empreendedorismo era uma realidade para 52 milhões de pessoas em 2019, segundo dados do GEM (Global Entrepreneurship Monitor). Com a pandemia, esta taxa de desemprego de 12% pode dobrar, afirmou o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, o que levaria ainda mais pessoas ao empreendedorismo, não apenas por opção, mas por necessidade.



Contudo, abrir uma empresa não é garantia de que o negócio será bem sucedido e os empreendedores terão uma boa geração de renda. A última pesquisa de Sobrevivência das Empresas no Brasil, divulgada pelo Sebrae em 2016, mostra que 23% dos novos empreendimentos criados no país não sobreviveram aos dois primeiros anos. As dificuldades enfrentadas pelos empreendedores são diversas, desde o acesso a crédito com juros razoáveis, ao estabelecimento de suas marcas no mercado conquistando a confiança de clientes, nada fácil para novos entrantes, que muitas vezes apostam na pior estratégia: a de guerra de preços.


Lançar negócios já pensando na reputação que ele gostaria de ter ao longo dos anos me parece a forma mais eficiente de começar um empreendimento. Porque todo o processo de posicionamento da marca e de seus produtos pode ser feito em alinhamento com os objetivos de longo prazo e gerando memória corporativa, fundamental para a criação de lastro reputacional.


A reputação importa para os negócios porque reputação confere competitividade. Ninguém faz negócios com empresas ou pessoas que não gozam de confiança. Empresas de boa reputação atraem melhores talentos, têm menor rotatividade de funcionários e colaboradores em geral, conseguem melhores condições de crédito e junto a fornecedores. Além disso, as empresas de boa reputação são as mais lembradas pelos clientes, logo as que possuem seus produtos e serviços escolhidos pelos consumidores. Todos esses atributos contribuem para a longevidade de um negócio e sua valorização, logo pensar em construção de reputação é imprescindível para as startups se diferenciarem dos concorrentes.


* Tatiana Maia Lins é CEO e fundadora da Makemake, A Casa da Reputação, editora da Revista da Reputação e professora de Relações com o Mercado e com Acionistas do Master em Comunicação Empresarial Transmídia da ESPM / SP.

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