• Renata Petrocelli

Aprendizados do Programa Influenciadores Eletrobras

Programas de influenciadores internos são presença relativamente comum em grandes empresas. Fruto natural da evolução das tecnologias, que alçou todos ao papel de comunicadores e intensificou a disputa pelo escasso recurso da atenção, a iniciativa é fundamentada na constatação de que os colaboradores são os primeiros e mais valiosos embaixadores de uma marca, com papel essencial no fortalecimento da reputação. Mais que preparar e instrumentalizar um grupo disposto a compartilhar pautas positivas, no entanto, os programas de influenciadores internos podem funcionar como celeiros de uma comunicação consciente e transformadora, cada vez mais necessária diante dos desafios impostos às empresas e, em particular, às equipes de Comunicação.


Basta pensarmos na velocidade em que tudo muda atualmente, e no esforço que profissionais e empresas precisam fazer para se manterem relevantes num contexto de aceleração exponencial, para entendermos o papel de uma comunicação consciente na construção de ambientes que aliem propósito, bem-estar, criatividade, inovação, aprendizado contínuo e uma visão que precisa ser cada vez mais ampla e holística.

Neste cenário, promover a comunicação consciente está, talvez, entre as mais importantes missões que a Comunicação pode assumir no interior das organizações. E um programa de influenciadores internos, por sua vez, é uma oportunidade de reforçar o time, apoiada em dois pilares essenciais:


1. Promover a oxigenação da equipe de Comunicação com os olhares diversos e complementares de profissionais de outras áreas, o que contribui para mitigar vieses aos quais todos estamos sujeitos em função de práticas que compartilhamos com aqueles que trabalham junto de nós, abordando desafios, oportunidades e problemas a partir de pontos de vista sempre muito semelhantes.


2. Formar embaixadores que ajudam a promover os princípios da boa comunicação junto aos times das mais diversas áreas, facilitando o trabalho da equipe de Comunicação. Sabemos a importância de contar com o entendimento dos clientes internos sobre aspectos como: o que é uma boa pauta; a necessidade de resposta tempestiva diante de temas sensíveis; a clareza dos objetivos de comunicação ao se planejar uma divulgação; a compreensão de quando “menos é mais”; entre tantos outros. Em nosso trabalho junto aos clientes internos, a conscientização é elemento-chave. E influenciadores são multiplicadores dessa consciência.



Para que esses ganhos se concretizem, no entanto, é necessário que a equipe de Comunicação aborde seu programa de influenciadores de um ponto de vista essencialmente estratégico. Preparar influenciadores internos como meros replicadores de conteúdo institucional é reproduzir o modelo da Comunicação “tiradora de pedido”, restrita à função tática de eleger veículos, elaborar mensagens e fazê-las chegar ao público-alvo.


Um programa de influenciadores internos pode – e deve – ser muito mais do que isso. Seu potencial é tanto maior quanto mais ele funcione como um ambiente de troca verdadeira e reflexão profunda, no qual a equipe de Comunicação e os participantes possam atuar de maneira conjunta, cada qual com suas expertises e competências próprias, para o fortalecimento de uma cultura de comunicação consciente na empresa inteira.


Com base nesse ideal, a Eletrobras lançou, em 2021, o programa Influenciadores Eletrobras, que este ano segue para sua segunda edição. Compartilho abaixo 10 aprendizados de nossa equipe na jornada até aqui:


1. Alinhamento estratégico – O Influenciadores Eletrobras foi gestado no programa “Compromisso do Diálogo e Transparência com Stakeholders”, incluído no Plano Diretor de Negócios e Gestão da companhia, o que assegura visibilidade, favorece a continuidade e garante que o programa atue em prol dos objetivos de Comunicação da empresa.


2. Participação voluntária – O chamado é para todos os que desejarem participar, por entendermos que o interesse pela Comunicação é essencial para o engajamento.


3. Reuniões periódicas – Cada ciclo anual tem início em março e é composto de 10 reuniões mensais, para que o grupo se mantenha ativo e engajado.


4. Aprendizado mútuo – Intercalamos reuniões “informativas” – sobre os temas institucionais, as campanhas internas e o levantamento de pautas – com encontros em que palestrantes externos abordam temas essenciais à Comunicação, como CNV, vieses inconscientes, posicionamento nas redes sociais, definição da notícia, comunicação assertiva etc. A ideia é que o programa funcione como uma formação continuada em competências de comunicação.


5. Segurança psicológica – As reuniões são conduzidas de modo a criar um ambiente propício para a reflexão e a crítica construtiva, onde diferentes pontos de vista são não apenas acolhidos, mas incentivados e reconhecidos.


6. Liderança dedicada – O programa conta com um líder na equipe de Comunicação, responsável por planejar os encontros, mobilizar o grupo e manter diálogo constante entre os encontros.


7. Comunicação constante – A cada ciclo é formado um grupo para troca de mensagens instantâneas. Lá são compartilhados os materiais institucionais com pedido de apoio para divulgação interna e externa, além de conteúdos para reflexão e pedidos de opinião. Acolhemos dúvidas e recebemos feedback do grupo sobre as ações realizadas.


8. Envolvimento da equipe – Além do líder, o programa conta com a participação da equipe e das líderes da área (eu, superintendente de Comunicação, e a gerente de Comunicação e Relações Institucionais) em todas as reuniões e no grupo de mensagens. Consideramos esse envolvimento essencial para dar o tom que desejamos ao programa.


9. Monitoramento – Criamos uma hashtag específica para facilitar o acompanhamento das publicações do grupo nas redes sociais, consolidando os indicadores de exposição – embora consideremos esse apenas um dos resultados do programa.


10. Abertura para o diálogo – Valorizamos esse espaço como verdadeira fonte de aprendizado e melhoria do trabalho da área. Isso reflete no acolhimento que proporcionamos ao grupo e transforma a experiência em algo valioso para todos.


* Renata Petrocelli é superintendente de Comunicação na Eletrobras.