• Sheila Magri

Líderes comunicadores são estratégicos para a reputação corporativa

A comunicação tem se mostrado como um dos principais focos de desenvolvimento da criatividade de marcas e de profissionais que exploram as oportunidades tecnológicas e que buscam superar os desafios ocasionados pela pandemia. Por quê? Porque a competência para comunicar se tornou um valor que se valoriza. Um valor fundamental para os líderes e empresas transformarem uma crise, como esta causada pela COVID-19, em uma oportunidade reputacional e de mercado.


A partir da pandemia, as lideranças de empresas conseguiram visualizar o quanto os negócios dependem da comunicação das pessoas para garantir a sua sustentabilidade. Assim, desde que o isolamento social se tornou uma limitação, causada forçadamente pela pandemia do novo coronavirus, iniciou-se um processo sem precedentes de busca por soluções para este problema coletivo de interação.


Este limite de mobilização física e participação presencial estimulou a adoção das políticas de trabalho remoto e virtual para os executivos das empresas. Os líderes das organizações tiveram que usar a sua criatividade para ganhar autoridade, transmitir valores das empresas e para disseminar a confiança na cultura organizacional. E a comunicação foi necessária para atingir estes objetivos.




Assim a comunicação profissional corporativa tem sido mais valorizada e estimulada a partir da pandemia. Esta valorização aconteceu quando as empresas decidiram disponibilizar para as equipes de comunicação interna e externa toda a infraestrutura tecnológica. Depois, as empresas passaram a priorizar o uso das ferramentas virtuais, de plataformas tecnológicas e de seus recursos para promover conteúdos relevantes e o seu diferencial competitivo. Foi quando surgiram as webinars, o uso das redes digitais, as vídeo conferências, e uso de lives.


A comunicação passou a ser fundamental para a manutenção da continuidade dos negócios à distância e para criar e manter os elos entre empresas e clientes, para garantir a eficácia da gestão das empresas para engajar os colaboradores.


Uma pesquisa recentemente divulgada pela imprensa e realizada pela plataforma de interação LinkedIn apontou que os empregadores buscam por profissionais que saibam comunicar. A pesquisa lista a comunicação no top do ranking das habilidades mais procuradas pelas empresas. A plataforma não foi a única a destacar esta competência. Desde 2019, a consultoria Robert Half indicava a comunicação no topo da lista de habilidades a serem desenvolvidas para que os executivos possam traduzir questões técnicas de suas áreas para diferentes públicos.


No entanto, a comunicação profissional corporativa não é uma questão somente de aptidão. A comunicação é parte da nossa característica de seres sociais. Ela é, de algum modo, usada por todos nós. Mas a comunicação, enquanto uma competência, não é uma espécie de dom divino, ou uma determinação da natureza, ou da personalidade. Pelo contrário.


Quando se entende a comunicação em contextos empresariais, o que os recrutadores valorizam é o uso estratégico da comunicação pelo candidato na superação de desafios empresariais. É claro que a boa comunicação interpessoal é importante para todos nós seres humanos. É fato que ajuda muito a convivência quando falamos com clareza, quando escrevemos corretamente e quando praticamos a escuta ativa nos diálogos. Isto vale para qualquer pessoa. Entretanto, o porta-voz corporativo é muito mais do que fazer uso da comunicação interpessoal ou ser uma pessoa extrovertida.


O porta-voz é aquele ou aquela executiva que aprende como comunicar valores e como conceder palavras de reconhecimento, como engajar a colaboração dos integrantes da corporação. O porta-voz entende como empregar a sua marca pessoal para a reputação profissional mais eficiente para crescer na sua carreira.


Agir como um porta-voz é primordial para o líder que deseja se tornar um exemplo para seus subordinados. E um bom porta-voz precisa de uma estrutura para agir. Necessita de uma equipe de comunicação da empresa, que disponibilize canais estratégicos para que possa transmitir a sua mensagem e garantir visibilidade para os valores da empresa entre os stakeholders, parceiros e colaboradores.


Não há como um porta-voz ter exposição sem ter um planejamento da empresa sobre os canais mais adequados, sem uma vocação da empresa para uma comunicação eficiente. Outro ponto que vale ser comentado é que a comunicação é resultado de um processo. O processo comunicacional envolve a formação de profissionais comunicadores, a partir da criação de estruturas ágeis que promovam diálogos simétricos e produtivos entre equipes. Recentemente a revista Você S/A publicou um estudo que aponta que as empresas perdem em média US$ 62 milhões ao ano devido a mal-entendidos entre os colaboradores.


Quando se fala em capital reputacional está entre os valores intangíveis de uma empresa a confiança nela. Essa credibilidade se apresenta a partir do que os outros falam da empresa. Cada vez mais a reputação vem da humanização das relações. Uma liderança comunicadora faz brilhar os olhos de investidores, acionistas, potenciais sócios e novos consumidores.


* Sheila Magri é jornalista, consultora de comunicação corporativa na Macob Comunicação. É pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Ética, Comunicação e Consumo - GPECC na ESPM e é autora do livro “Porta-vozes do capital". 

© DNA Criativo