Reputação corporativa x reputação profissional

Reputação corporativa x reputação profissional: Uma troca? Uma soma? Que conta é essa? 

 

O que tem mais peso, a reputação de um profissional ou a reputação de uma organização? Quem contribui mais para quem - a reputação de um profissional para sua empresa ou a reputação de uma corporação para um profissional? Esta relação é de troca, é uma soma, uma multiplicação – que conta é essa? Depende. Sim, depende do estágio da empresa e da pessoa em questão. Há vários ângulos a avaliar.

 

De forma geral, um profissional se apresenta com nome e dois “sobrenomes”, o seu e o da organização em que trabalha. Quando esta é conhecida, facilita a abertura de portas, mas, do contrário, quando acontece de ele ser mais conhecido no mercado do que a marca que representa, sua empresa pode até “pegar carona” na sua reputação. 


Pense bem. Já lhe aconteceu de receber um amigo ou ex-colega de trabalho que quer lhe mostrar uma novidade de produto ou serviço de uma nova companhia e você dedica um tempo para recebê-lo, por conta de seu apreço e consideração? O que você está levando em conta, certamente, é a boa reputação daquela pessoa. 


Por outro lado, se quem o procura é algum desconhecido que acaba de assumir uma posição executiva em uma superempresa que é seu fornecedor ou que poderia vir a ser, propondo uma reunião, provavelmente você o receberá, tendo em vista a possibilidade de fazer um bom negócio com um parceiro de boa reputação. 


Observando ainda por mais uma perspectiva... Um jovem profissional espera progredir na carreira ingressando em uma empresa conceituada e crescendo dentro dela. Ao longo deste tempo, se apresentará como “Fulano, da empresa A.”. Depois de alguns anos e, demonstrando bom desempenho, poderá assumir um cargo gerencial ou executivo e passará a apresentar- se como Fulano de Tal, da empresa A. No futuro, um novo player do mercado o contrata e ele então mudará de cartão de visita, tornando-se o “Fulano de Tal, agora da empresa O”.

 

O que mudou? Basicamente, num primeiro momento o profissional se apropria da reputação corporativa da organização onde trabalha para aprender, “mostrar serviço”, crescer e aparecer no mercado. Depois, como executivo, ele passa a contribuir para a reputação da própria empresa, chama a atenção da concorrência e daí chega a mudar de lado. Começa então a usar de sua própria reputação profissional para ajudar a construir ou fortalecer a de uma nova organização. Ou seja, ele começa “pegando emprestada” um pouco a reputação da sua empresa e depois os papeis se invertem, quando uma nova organização “pega carona” na sua reputação profissional. 


Independente da situação, fato é que, nos últimos anos, o skill ou habilidade de gerenciar sua própria reputação ou a da corporação, de forma cuidadosa e profissional, vem sendo um diferencial e tanto. Primeiramente porque, num mercado em crise e crescentemente competitivo, construir uma boa reputação pode conferir-lhe mais valor para manter-se empregado ou aumentar suas chances de ser lembrado para participar de processos seletivos. Pois geralmente quem cuida de sua marca (seja seu nome e/ou sua empresa) costuma frequentar eventos do setor e estar por dentro de temas atuais, e também procura fazer um bom networking, palestrar ou escrever artigos sobre tendências. E, em qualquer destas ocorrências, o sobrenome corporativo vigente acompanhará o de família. 


Especialmente para o CEO, o executivo ou o profissional de comunicação, figuras que cuidam mais de perto da reputação e da imagem corporativa, muitas vezes sua reputação profissional se confunde com a própria reputação corporativa. Já que partem deles decisões que realmente devem impactar no que se pensa sobre a empresa, sejam no âmbito de negócios ou de comunicação.


Em tempos de tantos processos da operação lava-jato, que inundaram as mentes brasileiras de exemplos surpreendentes de corrupção ou, no mínimo, de conivência, destacam-se os éticos e os de boa reputação. Contar com a confiança e a admiração do público não é para muitos. O que deveria ser regra, tristemente, passou a ser exceção e, atualmente, tantas organizações envolvidas em negócios escusos passaram a manchar o currículo de executivos e profissionais de setores os mais diversos – públicos e privados. A tal conta de reputação corporativa x reputação profissional, falada lá no inicio, pode acabar tendo resultado negativo para mais pessoas do que as (ir)responsáveis pelos fatos. Mas vale lembrar que as empresas não possuem moto próprio e que o que é errado é errado, ainda que muitos estejam fazendo. 


* Marcia Cavallieri é consultora de comunicação com foco em gerenciamento de projetos.   
 

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