Os Jogos Olímpicos podem ser ruins para a reputação do anfitrião

11/07/2016

Apesar da cobertura positiva da imprensa, Londres ainda não conseguiu retornar ao Top 10 das cidades globais com maior reputação após os jogos de 2012.

 

Sempre que o processo de licitação para sediar os Jogos Olímpicos começa, as cidades ao redor do mundo são rápidas em jogar seus chapéus para o ringue, ansiosas para aproveitar a aclamação e o status que vêm com a realização dos jogos quadrienais.


É fácil entender por que a maioria das cidades vê os Jogos Olímpicos como uma maneira rápida de aumentar a sua reputação internacional. Por algumas semanas, a cidade-sede tem a atenção cativa de bilhões de pessoas em todo o mundo. É uma oportunidade interessante para mostrar a região como um destino de férias atraente, rica em história e repleta de oportunidades de lazer, esporte, cultura e muito mais. E as cidades definitivamente se beneficiam da melhoria da percepção global. Pesquisas do Reputation Institute mostram que a reputação de uma cidade tem um impacto direto sobre os indicadores econômicos de turismo, exportações e investimentos.


Infelizmente, porém, a pesquisa também mostra que, em vez de aumentar a reputação de uma cidade, sediar os Jogos Olímpicos pode realmente causar uma queda abrupta na reputação. Isto é devido, em grande parte, ao fluxo de imprensa negativa que pode acompanhar soluços no planejamento, execução ou até mesmo o processo de licitação.


Um exemplo é o Rio de Janeiro, que, para além dos atrasos na construção local que parecem atormentar todos os Jogos Olímpicos, outros assuntos espinhosos estão sob os holofotes, desde a limpeza das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas e da Baía da Guanabara, à corrupção no processo de licitação e - especialmente - os temores sobre o vírus Zika. Não há dúvida de que essa enxurrada de notícias negativas está afetando a reputação internacional do Rio, mas talvez o resultado mais prejudicial seja a perda de reputação entre os cidadãos da própria cidade.

 

Nossa pesquisa mostra que o fator mais importante na reputação geral de uma cidade é a autopercepção, ou a forma como os seus cidadãos a percebem. Na verdade, estudos mostram que a impressão que uma cidade tem de si mesmo é o fator mais determinante de como ela será percebida pelos outros. Este conceito de autopercepção é particularmente importante quando se trata de sediar os Jogos Olímpicos, e os dados são bastante claros: a percepção positiva das cidades-sede das Olimpíadas pode despencar depois de tudo dito e feito. Isto é verdade mesmo para as cidades amplamente consideradas bem sucedidas em sediar os Jogos Olímpicos.

 

Antes de sediar as Olimpíadas de 2012, Londres alcançou 71,85 pontos na pesquisa City RepTrak do Reputation Institute, nota boa o suficiente para ganhar o título como a cidade mais respeitável no mundo em 2011. No ano seguinte, após os Jogos Olímpicos, a reputação da cidade caiu para 11º. Em linha com nossas descobertas, a causa mais substancial foi um declínio acentuado na autopercepção londrina.

 

Apesar da cobertura positiva pela imprensa e de um consenso geral de que os jogos foram extraordinariamente bem geridos, muitas pessoas que realmente residiam em Londres não apreciaram a forma como eles foram executados e sentiram que os Jogos foram uma má ideia. As sequelas desta queda de autopercepção ainda são sentidas hoje. E desde 2012, Londres tem sido incapaz de voltar para o Top 10 das cidades mais conceituadas do mundo.

 

A perspectiva é muito mais sombria para o Rio de Janeiro do que foi para Londres. Historicamente, a cidade tem sofrido de uma perspectiva de reputação pobre, listada sempre perto da parte inferior do nosso ranking desde quando começamos a medir as reputações das cidades globais em 2011. Juntem-se este fato às substanciais dificuldades econômicas que a cidade enfrenta, às questões de infra-estrutura, e às alegações de corrupção e pode ser que os Jogos Olímpicos se tornem mais prejudiciais ao Rio do que qualquer um esperava.

 

Isso fornece uma lição interessante para quem deseja se candidatar a sediar Jogos Olímpicos: se você quer manter a sua boa reputação, ou impulsionar a sua reputação, há uma abundância de razões para que evite se tornar uma cidade Olímpica. O que a cidade tem a perder economicamente não compensa a cobertura de imprensa de um verão. 

 

Bradley Hecht é Vice-Presidente e Chief Research Officer do Reputation Institute. Artigo originalmente publicado pelo Reputation Institute e pelo The Huffington Post, em 09/03/2016.

 

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