A difícil missão de limpar a imagem da Petrobras

 

 

Era para ser um processo super simples. Eu mandaria um e-mail para a assessoria de imprensa, que trabalha sete dias por semana, 24h por dia, solicitando informações e a Petrobras responderia em um prazo razoável a minha demanda. Ao menos é isso que as boas práticas de comunicação corporativa pregam: uma resposta rápida e desburocratizada. Mas não foi isso o que aconteceu. 


Depois de mais de dois meses de tentativas (a primeira mensagem foi enviada no dia 01/02/2016), no dia 06/04/2016, após telefonemas e e-mails que acionaram, inclusive, contatos pessoais, recebi a primeira resposta ao meu pedido de informações e para uma entrevista. A resposta tão esperada, contudo, não chegou. O e-mail da assessoria dizia que eles haviam analisado a minha demanda e pelo perfil da publicação o canal responsável por me prestar informações era o SAC e não a assessoria de imprensa, que só atendia “imprensa”.  


Calma, lá! O que é imprensa?


Eu, Tatiana Maia Lins, além de consultora, sou jornalista formada pela Universidade Católica de PE, registrada conforme consta no expediente da revista, e com um Master em Jornalismo Internacional pela University of Westminster, UK. 


Imprensa é a designação coletiva dos veículos de comunicação que exercem o Jornalismo e outras funções de comunicação informativa - em contraste com a comunicação de propaganda ou entretenimento. A Revista da Reputação é, sim, um veículo jornalístico e independente, publicado por uma empresa cujo contrato social permite realizar quaisquer atividades jornalísticas. Questionei, então, o tratamento dado pela Petrobras e fiquei sem resposta satisfatória.  


Para levar a experiência até o fim, liguei para o SAC e fiz as minhas perguntas. A atendente não soube me responder e me falou para entrar no site, na área de informação ao cidadão, preencher um formulário com as perguntas, que seriam encaminhadas para um setor da empresa (que ela não soube especificar o nome) e que não teria como estabelecer um prazo para que eu recebesse as respostas. 


Fui até o site e encontrei mais burocracia. O site dizia que “o prazo de resposta é de até trinta dias, iniciando no primeiro dia útil após o recebimento do pedido. São vinte dias, prorrogáveis por mais dez dias mediante justificativa expressa. Não dava para esperar tanto tempo e voltei a telefonar para a assessoria de imprensa, que , por fim, começou a responder as minhas demandas no dia 08/04/2016. 


Mas respondeu só até a página dois... Porque me mandou dados públicos que estavam na área de imprensa do site, ou seja, informações que eu poderia levantar sozinha, mas, quando retornei com perguntas específicas me encaminhou de volta para o SAC.  


O comportamento da Petrobras foi completamente questionável e anacrônico, principalmente no momento atual que exige transparência, voz da empresa e equidade no tratamento. Os formadores de opinião não são mais apenas a “grande imprensa” e os veículos online crescem exponencialmente. As páginas da Revista da Reputação, sem anúncios ou qualquer outra geração de renda direta, trazem artigos de experts em suas áreas de atuação e reportagens profundas (especialmente as de capa), assinadas, que procuram interpretar a realidade consultando especialistas nos assuntos tratados e esclarecendo as origens, as circunstâncias e as conseqüências do fato, para levar a seus leitores conhecimento sobre os temas debatidos.  


Estou relatando tudo isso não para me colocar de vítima, longe de mim este papel que nunca visto. Mas para mostrar o quanto a Petrobras ainda esbarra, cotidianamente, em processos que em vez de restaurar a confiança de seus stakeholders, fomentam a desconfiança. 


A impressão que fica é que a assessoria de imprensa não tratou com respeito a minha demanda. Pois, caso realmente fosse preciso que eu me dirigisse ao SAC (postura que eu discordo completamente, mas que não me neguei a fazer), se a empresa tivesse tido o respeito de responder à minha demanda ainda nos primeiros dias em que a procurei eu teria tido tempo hábil para buscar as informações, com toda a burocracia prevista nos processos da Petrobras. Da forma como aconteceu, deu a impressão que a empresa tentou ao máximo evitar os meus questionamentos - questionamentos estes que dariam a oportunidade de a empresa se posicionar positivamente esclarecendo dúvidas sobre as ações que estão sendo implementadas após as denúncias de corrupção.


É, realmente, um trabalho difícil até para Hércules limpar a imagem da Petrobras em um contexto assim. De todo modo, cabe frisar que, como um veículo jornalístico que somos, mantemos o espaço aberto, a qualquer tempo, para a Petrobras e toda e qualquer empresa que nos procurar. Nossa missão não é jogar pedra em ninguém. É compartilhar conhecimento e provocar reflexões sobre o que influencia positiva ou negativamente a reputação das empresas para que, a longo prazo, tenhamos uma mudança na forma como os negócios são feitos no Brasil. Nossa filosofia é estabelecer relações ganha x ganha para todos. 

 

* Tatiana Maia Lins é Consultora em Comunicação com foco em Reputação Corporativa, diretora da Makemake Comunicação e editora da Revista da Reputação.

 

** Imagem gentilmente cedida por Nani - www.nanihumor.com

 

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