Balanço das ações da Samarco após o rompimento da barragem em Mariana

 

Segundo dados divulgados pelo G1, por causa do rompimento da barragem da Samarco, no dia 05 de novembro de 2015, 17 pessoas morreram, duas estão desparecidas; onze toneladas de peixes mortos foram recolhidas (oito toneladas em MG e três no ES) e 82% das edificações de Bento Rodrigues foram destruídas pela lama (das 252 construções, 207 estão na área atingida).

Ainda de acordo com o G1, sete comunidades e subdistritos foram afetados pela lama: Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Campinas, Borba, Pedras e Bicas, todos pertencentes ao distrito de Camargos. Mas a lama percorreu 39 cidades até chegar ao mar (35 em MG e quatro no ES).

 

No balanço de ações enviado para a Revista da Reputação por sua assessoria de imprensa, a Samarco afirma que teria priorizado o auxílio emergencial às famílias afetadas, o resgate e assistência aos animais e as ações de abastecimento e monitoramento da qualidade da água, envolvendo uma equipe de cerca de 700 profissionais, entre empregados próprios e de empresas terceirizadas.

 

Em blocos, veja abaixo as ações que a Samarco afirma ter desenvolvido para atenuar os impactos do rompimento da barragem nos primeiros sessenta dias. Com a divulgação deste balanço parcial, deixamos uma contribuição para a discussão sobre o que fazer em situações de crise. A conclusão é de quanto mais a empresa envolvida na crise for capaz de assumir a responsabilidade pelos acontecimentos, liderando as ações - que devem ir além das obrigações legais – e o protagonismo na divulgação de informações claras e precisas, menor o dano à sua imagem e, consequentemente, à sua reputação.  

 

Moradia - No dia 23 de dezembro de 2015, todas as famílias afetadas pelo acidente em Mariana e Barra Longa já estavam instaladas em casas alugadas ou de familiares, com exceção de três que optaram por permanecer em hotel. A Samarco se comprometeu a antecipar o valor de R$ 20 mil para cada família que tenha sofrido deslocamento físico, ou seja, que ficou desalojada. Foram R$ 10 mil não dedutíveis da indenização e outros R$ 10 mil em caráter de antecipação de indenização as famílias desalojadas.

 

Assistência às famílias com vítimas  - A empresa assinou acordo parcial com o Ministério Público de Minas Gerais formalizando diversas ações de assistência às famílias afetadas, dentre as quais se destaca o pagamento de uma antecipação de indenização no valor de R$ 100 mil para cada família de falecidos e desaparecidos no acidente.

 

Educação - Para que as crianças e adolescentes pudessem finalizar o ano letivo de 2015, a Samarco se mobilizou para oferecer uma nova infraestrutura aos estudantes das comunidades impactadas. No dia 16 de novembro, 11 dias após o acidente, os jovens começaram a retornar às aulas.

 

Reconstrução de pontes - Foram reconstruídas quatro pontes de acesso para a comunidade. A primeira, que liga os subdistritos de Águas Claras e Monsenhor Horta, foi liberada no dia 5 de dezembro. Já a segunda, que liga Pedras e Borba a Águas Claras e Campinas, foi liberada no dia 11 de dezembro. A terceira, liga as comunidades de Campinas e Barreto, subdistritos de Mariana (MG e foi entregue dia 20 de dezembro. A mais recente a ser concluída foi a Ponte do Onça, em Barra Longa (MG), entregue no dia 6 de janeiro de 2016. A promessa da empresa era de reconstruir as demais pontes atingidas até o final de janeiro de 2016.

 

Saúde - Nos primeiros sessenta dias foram realizados mais de 2,5 mil atendimentos psicossociais individuais, familiares ou em grupo para dar apoio e acolhimento às famílias atingidas. As pessoas que precisam de atendimento contínuo foram encaminhadas para os profissionais de saúde da Prefeitura de Mariana. Será que a rede pública tem capacidade de atender esta demanda sem afetar outras demandas da população?

 

Agentes de saúde percorreram as residências de Governador Valadares (foto acima) para realizar, junto à comunidade, um trabalho preventivo de controle de endemias, principalmente dengue, leptospirose e leishmaniose, além da presença de escorpiões. A contratação atendeu a um pedido da Vigilância em Saúde, órgão ligado à Prefeitura de Governador Valadares, porque os moradores estocaram água durante a interrupção da captação no Rio Doce. Uma pergunta que cabe é por que este serviço não foi oferecido para as demais cidades atingidas.

 

Atendimentos multidisciplinares (com médico, enfermagem, assistente social etc) aos atingidos também foram realizados, com fornecimento de medicações, óculos de grau, materiais ortopédicos e hospitalares, exames laboratoriais e suporte de atendimento de ambulância. Em conjunto com as secretarias de Saúde e Ação Social dos municípios afetados, foram definidos Planos Municipais de atuação para suporte à saúde, tendo sido realizados mais de 1,5 mil atendimentos.

 

Trabalho e renda: A Samarco afirma ter disponibilizado auxílio financeiro emergencial para as famílias que perderam sua renda em função acidente, por meio de cartões. O auxílio contempla o pagamento mensal de um salário mínimo para a família, mais um adicional de 20% do salário mínimo para cada um dos dependentes e cesta básica monetizada no valor de R$ 338,61 para as famílias em MG e no valor de R$357,30 no ES. (Valor de referência do DIEESE). O auxílio não é uma indenização por perdas e a verba é disponibilizada em um cartão de débito aceito para compras em diversos estabelecimentos comerciais e que permite realizar saques e transferências na rede Banco 24 horas.

 

Além do auxílio via cartões, cerca de 800 pessoas afetadas em Mariana (MG) e Barra Longa (MG) tiveram o perfil profissional levantado pela equipe de Ocupação, Trabalho e Renda, uma das frentes de atuação da Samarco. Com isso, espera-se a reintegração dessas pessoas às suas funções anteriores, restabelecendo suas condições de trabalho ou em novas oportunidades dentro de cada perfil. Empresas parceiras da Samarco estão oferecendo emprego para as pessoas afetadas pela tragédia. Até o dia 30 de dezembro, foram preenchidas 157 vagas, sendo 38 delas para moradores dos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu e 119 para as cidades do trecho do Rio Doce.

 

Postos de atendimento e canais de comunicação - Para prestar esclarecimentos e informações sobre as ações da Samarco bem como desenvolver ações conjuntas, a Samarco afirma estar participando de reuniões periódicas com as comunidades, prefeituras, governo estadual e federal, órgãos ambientais, Ministério Público, Defensoria Pública e demais órgãos competentes.

Em Colatina, Linhares, Marilândia e Baixo Guandu, no Espírito Santo, e em Mariana e Barra Longa, Minas Gerais, a população está sendo atendida por profissionais contratados pela Samarco em postos de atendimento que funcionam em endereços indicados pelo Poder Público. O objetivo dos postos é centralizar as demandas, dúvidas e reivindicações da comunidade, facilitando o atendimento e o acompanhamento de soluções.

 

A empresa também disponibiliza os seguintes canais para manter contato com os  moradores dessas e outras localidades: relacionamento@samarco.com, Central de Relacionamento (08000312303) e Ouvidoria (08007210717). Estas linhas de contato com a empresa, apesar de importantes, são pouco divulgadas.

 

Cuidado com animais - Três mil animais, de várias espécies, foram resgatados das áreas afetadas. Eles vêm recebendo atendimento médico veterinário, alimentação adequada e estão sendo assistidos diariamente por profissionais da Samarco e de empresas terceirizadas. Muitos animais já foram identificados pelos donos e levados para as residências. Outros ficarão, temporariamente, abrigados nos locais disponibilizados pela empresa, com o acompanhamento de equipe especializada. Uma pergunta inevitável é qual será o destino dos animais que não forem identificados ou recolhidos pelos donos.

 

Como ação preventiva, espécies de peixes e crustáceos das regiões de Baixo Guandu, Colatina, Linhares e Aimorés foram resgatadas e encaminhadas para outros cursos d’água, com características semelhantes a de seu habitat original. A Aqua Ambiental, especialista em monitoramento do meio ambiente, e o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM), empresas contratadas pela Samarco, coletaram 2.799 espécimes. Dados atualizados até 22.01.2016.

 

Abaixo, balanço de ações disponível no site da Samarco, em feveiro de 2016, seguindo ordem cronológica:

 

 

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A tragédia de Mariana, da Samarco e de todos nós

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